Curvas Oceanos e um Deserto – Bahia Inglesa a San Pedro de Atacama

Antes de mais nada, vou corrigir uma injustiça que cometi com a esposa, filhos, cunhado e demais familiares…

Embora nada tenha mencionado, Ricardo, meu cunhado, estava junto comigo (só pra variar… kkk) na visita ao Vale Nevado, aliás, eu estava junto com ele já que foi parceiro e motorista nesse passeio.

Também nada mencionei que o café da manhã foi degustado junto com minha esposa e o Lucas, meu filho mais novo que embora gostem de acordar tarde, abriram uma exceção só para me desejarem “boa viagem” e dar aquele emocionante abraço final!

O Guilherme (filho mais velho) já havia se despedido no final da noite do dia anterior juntamente com nora, sogra, cunhada e sobrinha! Pessoal não falei de vocês no post, mas tenham certeza que embora momentaneamente distante, vocês não saem da minha cabeça! Quando chego no destino do dia, o que mais me alegra é ver o rosto da Patricia e dos filhos no “face time”!

Saí exatamente as 07.30 hrs. Do apart Playa Blanca onde estava confortavelmente instalado em um apartamento com dois dormitórios, cozinha, sala e garagem (muito bom) tendo como destino inicial a escultura “La Mano del Desierto” na região de Antofagasta, quase 500 km adiante.

O percurso até Antofagasta foi muito bonito e a estrada impecável como sempre, entretanto de pista simples o que exige um pouco mais de cuidado.

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Depois de ter rodado apenas 80 km, parei em um posto não para abastecer, mas sim para meu café da manhã, já que estava em jejum. Parei, olhei e segui adiante, já que não gostei do ambiente do posto repleto de pedintes e sujo. Não abasteci já que a autonomia da moto supera fácil os 400 km e havia rodado apenas 80!

Conforme andava, a paisagem foi ficando cada vez mais desertica e o Pacífico se distanciando… Muitas pedras, areia e eventualmente alguma bela paisagem. Os km foram passando e nada de lugar para abastecer… Quando a moto estimou que estavam apenas 100 km de combustível, comecei a ficar preocupado afinal, a cidade mais próxima seria Antofagasta e estava mais de 220 km adiante!

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Para minha sorte, verifiquei no GPS e percebi que o posto mais próximo estava a apenas 20 km! Ufa… final do sufoco!

Vale um aviso aos amigos que queiram realizar viagem semelhante… cuidado com a autonomia de suas motos! Aqui no Norte do Chile há em média 1 posto a cada 200 km, portanto, não deixem de completar o tanque e caso a moto tenha baixa autonomia, utilizar um galão é fundamental.

Esse posto não tinha um bar anexo e segui meu forçado jejum.

Mais cento e poucos km adiante e finalmente cheguei na escultura “La Mano del Desierto” parada obrigatória para fotos! Essa escultura é muito mais importante por sua simbologia do que por sua beleza propriamente dita… Bater a foto com La Mano ao fundo significou muito mais do que um belo retrato… significou que os desafios foram superados e que todo planejamento finalmente deu certo. Fez-me sentir muito bem com um imenso sentimento de conquista dentro do peito. Fiquei emocionado!2016-01-05 11.25.34 2016-01-05 11.30.54 2016-01-05 11.36.20-1

Estar ali depois de percorrer mais de 5000 km sobre uma moto mesmo ouvindo inúmeras vezes que eu era louco, foi sem dúvida uma grande vitória!

Deixei a escultura para trás… era hora dos trezentos e poucos kms que faltavam até San Pedro de Atacama que imaginei ser um caminho de inúmeras belezas naturais… ledo engano!

Cheguei na área industrial de Antofagasta, que muito lembrou Cubatão com incontáveis caminhões, trânsito, inúmeras minas e uma constante poeira do ar, que secou minha boca por completo.

Entre Antofagasta e Calama, conheci uma faceta chilena que não tinha visto até aqui… locais feios e sujos… foram quase 300 km sem nada de interessante, nem mesmo um posto de combustível!

Depois de Calama tudo mudou e a finalmente vi lindas paisagens, que me fizeram parar a moto no acostamento algumas vezes para fotografar.

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Finalmente cheguei à San Pedro de Atacama e confesso ter ficado um pouco decepcionado… A cidade não tem absolutamente nada de especial, pelo contrário… não há calçamento ou pavimentação, as construções são feitas de pedra e barro (incluindo todos os hoteis), não há ar condicionado em lugar nenhum e garanto que é muito mais fácil encontrar maconha do que água! Gente louca (em todos os sentidos) é o que não falta por aqui e… adivinhem o que estava tocando no restaurante que fui finalmente encerrar meu jejum? Sim, Bob Marley claro! Kkkkk

Embora eu esteja hipoteticamente no segundo melhor hotel da cidade (pelo menos em preço), confesso que não gostei das acomodações… Não há frigobar, ar condicionado ou televisão. Já agendei passeios para amanhã e depois, mas isso é outra história!

Clique aqui para meu roteiro

30 thoughts on “Curvas Oceanos e um Deserto – Bahia Inglesa a San Pedro de Atacama”

    1. 100% rústica! Mas hoje gostei muito dos passeios! Se for vir, esqueca completamente o luxo… Esteja preparado para um lugar 100% rústico com passeios maravilhosos. Obrigado por acompanhar!

    1. Nao Romano, voltarei pela Argentina mesmo… Até cogitei voltar pela Bolivia, mas nao haveria tempo suficiente! Fica para outra oportunidade!

  1. Meu camarada,
    Fantástico seu relato, acompanhei tudo. Vai sentir a moto um pouco mais pesada pois acaba de ganhar mais um garupa. Aguardando os próximos capítulos.
    Abraço

      1. Seu blog está ficando um verdadeiro manual para quem pretende rodar e conhecer essa linda região. Um dia eu crio coragem e ultrapasso as fronteiras tupiniquins… rs

        Parabéns, Robertão!

        1. Ri meu amigo, se tiver oportunidade não deixe de vir! As estradas são ótimas e os lugares lindos! De Ipú até aqui é um pulinho! kkkk

  2. SPA realmente é isso aí, a primeira impressão é um tanto estranha. No dia seguinte, e em todos os outros, faz querermos voltar sempre, e eu já fui 4 vezes, e vou mais ainda. Belo enredo. Continue a boa(ótima) viagem.

    1. Kkkk. Acabei me acostumando e gostei daqui, mas a primeira impressão foi bem estranha. Os passeios são ótimos!

  3. Tudo muito lindo. Sem ninguém por perto o tempo todo? É isso mesmo? Não encontra com outros grupos pelo deserto? Vamos na garupa da motoca! Abraços!

    1. Fernando aqui é realmente bem diferente… No centro agitação constante com pessoas do mundo inteiro. Fora do centro, um silencio que chega a doer os ouvidos. Diferente de tudo o que já havia visto na vida! Se quiser agitação vá para o centro! Quer descansar e ouvir o silencio? qualquer lugar!

    1. kkkkkkkk Também não sei o que aconteceu… Vi em dois computadores e em um estava normal e no outro de ponta cabeça! Acho que é a altitude!

  4. Para mim as fotos estão normais…

    Roberto, tenta diminuir a resolução das fotos antes de tentar postar.
    Acho que fica mais fácil para fazer o upload e mais rápido para quem quer ver o blog. 😉

    1. Obrigado por acompanhar Ricardo! É uma viagem bem legal e bem longa, mas sem grandes dificuldades. Vale a pena!

  5. E ai Roberto, que beleza hein!
    Você disse que São Pedro do Atacama é rustico?
    Tomara que continue assim! Eu penso que rustico me faz lembrar essencial eu sou adepto do essencial, a natureza é essencial!
    Tenha certeza que você se lembrará dai muito mais vezes que de outros lugares glamourosos. Eu me lembro muito mais das vezes que acampei em campings selvagens que quando me hospedei no conforto dos hotéis.

    Continuo na cola.

    1. Tem toda razão Saulo… A natureza é de fato exuberante, mas um ar condicionado no hotel também seria! kkkkkk Valeu por acompanhar meu amigo!

  6. Boa Romagnani. Essas aventuras, por mais sinistras que apareçam ser, vai te deixar cheio de lindas lembranças para o resto da vida, e sentirá remorsos se não voltar antes da velhice. Continue em paz e um ótimo retorno.

    1. Curioso que por mais que tenha assistido “N” vídeos na internet sobre essa viagem ela continua me surpreendendo a cada dia. É um lugar diferente de tudo!

  7. Parabéns pela viagem e pelas fotos, bom poder viajar junto. Se não houver nenhum impeditivo final desse ano vai ser a minha vez.

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