Quem sou eu…

Advogado por formação, Corinthiano por opção e motociclista por paixão. Gosto de ordem e das coisas certas. Tenho poucos amigos e descobri recentemente meu peculiar gosto pelo asfalto.
Meu relacionamento com as motos começou no final dos anos 70, época em que ainda criança, contava os dias para a chegada do Domingo só para poder andar na garupa do meu pai, também motociclista, na época montado em uma impecável Suzuki GT 185 azul (depois trocada por uma Honda CB 360 verde). O destino era quase sempre o mesmo… a “Feira do Automóvel”  ainda em frente ao Estádio do Pacaembú onde íamos apenas passear e comer algum dos suspeitos sanduíches que lá eram vendidos, muitas vezes acompanhado por meu tio à bordo de uma Honda CB 350 verde igualmente impecável.
 

Lembro como se fosse hoje o vento no rosto (literalmente já que ninguém usava capacete naquela época) enquanto andávamos pela Marginal do Rio Tietê aqui em São Paulo… Lembro do imenso prazer de estar junto a meu pai sobre aquela maravilhosa moto e também do receio de entrar na temida Rua São Jorge vindo pela Marginal… Trata-se de uma curva fechada à direita e em aclive, onde meu pai costumeiramente era tomado por algum espírito de piloto de Super Bike e insistia em fazer aquela curva em uma velocidade muito além daquela em que deveria estar…

Igualmente andava na garupa de minha mãe (sim, ela também era motociclista) com sua potente Honda CG 125 laranja, costumeiramente “prensando” minha irmã ainda bebê entre nossos corpos…  Naquela época, se a citada curva da Rua São Jorge era um filme de suspense, andar na garupa de minha mãe era um filme de terror!  Não sei se por sorte ou se por intervenção divina, jamais tivemos nenhum incidente sequer e assim foi minha motociclística infância.
Em 1983 (ano em que completei 15 anos) ganhei um dos melhores presentes de minha vida… Uma Honda ML 125 Prata zero km! Era literalmente a realização de meu sonho e a sensação de prazer que senti naquele momento, não consigo traduzir em palavras ainda hoje. Minha vontade era dormir abraçado a ela, afinal, fui promovido de garupa a piloto.
Passei algum tempo aprendendo a pilotar na garagem do prédio onde morávamos, sempre supervisionado por meu pai/mentor/instrutor até que chegou o dia de ir para a rua. Capacete na cabeça, adrenalina a mil e com muito cuidado… Foi assim que comecei a dar minhas primeiras aceleradas.
Tudo ia maravilhosamente bem até Setembro de 1985, quando trafegava pela Av. Sto. Amaro no início da noite  de um sábado de verão. Uma atabalhoada pedestre desceu de um coletivo parado na direita e atravessou por sua frente, fora da faixa e sem olhar para os lados… A colisão foi inevitável… Me lembro de estar semi inconsciente deitado no asfalto clamando por acordar daquilo que julgava ser apenas um sonho desagradável. Não era.
Minha vida de motociclista teve então uma brusca interrupção.
Casamento, filhos e o trauma causado naquele desagradável sábado me seguraram por longos anos, mas… Uma vez motociclista, sempre motociclista!
Passados 28 anos, criei coragem e retornei ao mundo das duas rodas. No ano passado adquiri uma scooter (Dafra Citycom 300 cinza) que serviu para me (re) habituar com as duas rodas. Em pouco mais de um mês, já achando que a escolhida não estava atendendo aos meus anseios, resolvi trocá-la por uma Suzuki Burgman 650 preta. Linda e potente, porém faltou a necessária confiabilidade. Todos falam que essa Maxiscooter é a Raínha da categoria, mas sinceramente a minha não era confiável e apresentou dois problemas sérios em pouco mais de um mês. Com ela descobri os prazeres de viajar sobre duas rodas.
Com ela também tive a clara visão de que a vida é cíclica e que as histórias se repetem… Adivinhem quem começou a andar em minha garupa? Sim, meu filho mais novo! Exatamente como acontecia comigo quando criança, ele é meu companheiro em algumas jornadas! Realmente o motociclismo produz sensações incríveis e muitas vezes inexplicáveis.
Fiquei pouco tempo com a Burgman. Meu encanto se acabou na segunda vez que a vi sendo rebocada para a concessionária Suzuki, sabia que meu curto ciclo como proprietário de scooters havia se encerrado.
Após breve negociação acabei trocando a Burgman pela maravilhosa Suzuki Vstrom 650 branca. Moto incrível e grande companheira não só no dia a dia mas principalmente para as estradas. Com ela, grandes viagens tornam-se pequenos passeios tamanho o conforto proporcionado. Percebi isso imediatamente ao retirá-la da concessionária, já que a comprei em Jundiaí e voltei para São Paulo em uma agradável e cuidadosa viagem inicial.
Poucos dias depois de comprá-la, fiz minha primeira grande viagem. O destino era Brasília (DF), viagem que fui acompanhado pela família que seguiu em dois automóveis dirigidos por meu cunhado e por meu filho mais velho.
Como batismo, rodei os 700 kms. iniciais sob muita chuva, mas quanto mais andava, mais apaixonado ficava. O bem estar proporcionado pelo isolamento do capacete, aliado com a sensação de poder e liberdade não podem ser descritos. Só quem já pilotou uma moto sabe do que estou falando. Cheguei em Brasília com o corpo molhado, mas com a alma lavada!
Se a ida foi ótima a volta foi simplesmente sensacional… A chuva e o trânsito pesado deram lugar ao céu azul e  estrada livre! Percorri os 1000 km com um indisfarçável sorriso por debaixo do capacete.
Tudo foi tão fantástico que viagens de 200/300 kms para um simples café da manhã tornaram-se rotineiras e o prazer só aumenta, mesmo andando diariamente no caótico trânsito urbano da cidade de São Paulo. Uma nova longa viagem já enfeitava meus pensamentos, mas isso é outra história…
Abaixo, minha história motociclística em fotos…

 
 

 

One thought on “Quem sou eu…”

  1. Linda e comovente história! Fui motociclista na juventude e depois de algumas décadas sem sequer me dar o direito de andar na garupa de uma moto, devido ao meu emprego como Comandante da Aviação Civil (se eu quebrasse uma perna quem é que iria sustentar a minha família?), agora chegou a minha vez de voltar a pilotar uma moto, já que estou aposentado. Pesquisei bastante um modelo que coubesse no meu orçamento e que me oferecesse conforto, praticidade, potência e comodidade para viajar com a minha esposa. Acabei optando por uma Maxi-Scooter Burgman 650 Executive que comprei por um preço incrível, neste mês de Julho/2018, lá na MACHINE MOTOS, Concessionária Suzuki de Jundiaí, SP, onde fui muito bem atendido pelo Magrão. A fábrica está com um estoque de motos 2017/2018 zero e me ofereceram por três mil reais abaixo do preço promocional divulgado no site!

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